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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Robert Enke no Benfica - 1999/2000 (parte 1)


Agora mais a frio vou falar de Robert Enke. O guarda redes merece uma abordagem mais contextualizada que os "posts" de circunstância e para isso é preciso deixar acalmar as emoções para que se publique algo mais objectivo.

Digo já que Enke foi o 3º melhor guarda redes que vi jogar no Benfica. Melhor do que ele só o Bento, e Preud'Homme. Curiosamente, destes 3 apenas o belga ainda está entre nós.

Robert Enke sofreu do mesmo mal de Preud'Homme, chegou ao Benfica no tempo errado. O belga devia ter chegado uns 10 anos antes, e o alemão devia estar a chegar agora. O Benfica de 1999 era um pesadelo difícil de viver. Visto com uma década de distância até dá para rir ao lembrar os jogadores que passaram pela Luz, e alguns resultados que ficam a manchar a nossa gloriosa história. O mérito destes excelentes guarda redes foi não ter deixado o panorama piorar ainda mais.

Quem me conhece sabe que adoro o futebol alemão. Desde 1988 que apoio sempre a Alemanha nas fases finais das grandes competições, torço pelo Hamburgo, e acompanho de perto a Bundesliga.
Depois da recusa histórica de Artur Jorge à contratação de Klinsmann, em 1999 eu via, finalmente, um alemão a vestir o manto sagrado.

Depois da época louca de Souness, que acabou com Shéu no banco, Vale e Azevedo resolveu apostar tudo em Jupp Heynckes que exibia no seu currículo uma Liga dos Campeões pelo Real Madrid. Mais uma vez a esperança renascia e entre os reforços chegava Enke.

Lembro-me perfeitamente da apresentação da equipa no antigo estádio da Luz. Foi um jogo entre o Benfica e o... Benfica. Estádio com milhares de adeptos para ver um jogo treino entre duas equipas do Benfica com o plantel dividido ao meio. Logo nessa noite consegui irritar-me com meia bancada à minha volta. Como era possível haver dúvidas quanto à baliza?! Para mim só podia ser Robert Enke. Tinha estilo, tinha envergadura atlética, e era alemão! Como poderiam os meus companheiros de bancada olharem para um argentino alto, desajeitado, com pinta de padeiro, que jogava de calças de fato de treino e se chamava Bossio?!
Naquela noite elegi logo o nosso número 1 e não estava enganado.

Apesar de Heynckes ter dito que Enke ainda era muito novo e que Bossio tinha todas as condições para ser titular ao fim de uns jogos de preparação viu-se logo a diferença enorme entre os dois e assim foi com naturalidade que Enke defendeu a nossa baliza no 1º jogo do campeonato em Vila do Conde. Empate 1-1.
O problema de Enke nessa temporada é que a equipa que defendia era completamente desiquilibrada.
Relembremos quem jogava à frente do alemão. Andrade, Paulo Madeira, Ronaldo e Sérgio Nunes. Tahar entrou ao intervalo.
No meio Calado, o genial Poborsky, Kandaurov, e ... Luís Carlos! Ainda entrou Chano.
Na frente João Pinto, o capitão, e Nuno Gomes que foi substituído por... Porfirio!
Além destes craques o nosso plantel contou ainda ao longo da época com: Pepa, Jorge Ribeiro, José Soares, Marco Freitas, Mawete, Cadete, João Tomás, Tote, Okunowo, Uribe, Sabry, Machairidis, Rojas, Bruno Basto, Maniche...

Enke foi mesmo o melhor , e único, reforço digno desse nome. Memorável actuação na Grécia frente ao PAOK com vitória por 0-2, e igual exibição na Luz onde o Benfica foi obrigado a ir a penaltis e aí Enke brilhou defendendo dois.
Mais valia não ter defendido nenhum já que a seguir veio o Celta.
Na primeira eliminatória da UEFA outro jogo ficou na memória com o Benfica vencer na Roménia o D.Bucareste por 0-2 depois de ter perdido por 1 na Luz.


Na Taça de Portugal só fizemos 3 jogos. Com o Torres Novas jogou Nuno Santos, com o Amora na Luz jogou Bossio, célebre jogo à noite a 12 de Janeiro de 2000 com umas mil pessoas nas bancadas a apanhar chuva e frio e o Benfica venceu por 7-0 com dois irmãos a alinharem de início. Mas estes muito longe do brio e carácter dos grandes Bastos Lopes. Fui ver este jogo. Enke foi titular nos 1/8 de final porque o adversário era o Sporting. Perdemos 1-3 com Acosta a fazer dois golos. O nosso golo foi apontado por Uribe!

No campeonato o jogo memorável aconteceu em Alvalade (obviamente). Enke defendeu tudo o que havia para defender. Recorde-se que este era o tal jogo que os nossos rivais apelidaram de jogo dos cabeçudos já que se preparavam para serem , finalmente, campeões à nossa conta.
Enke não gostou da imagem de cabeçudo e recusou-lhes o golo. Sabry, entrou e devolveu-lhes o rótulo que perdurará no tempo. Cabeçudos! Muito à conta de Enke!


Nessa época Enke não foi sempre titular da baliza. Entre lesões e opções técnicas foi alternando com Bossio. Após um jogo como Farense na Luz em que os algarvios chegaram ao 0-2 mas que acabou com uma goleada de 6-2, Enke saiu da equipa.

Bossio foi levar 3 à Amadora, empatámos no Bessa 1-1, ganhámos ao Alverca 3-2, perdemos pelo mesmo resultado em Braga, mas uma vitória sobre o Porto em casa, e outra em Campo Maior por 2-4 mantiveram o argentino na baliza. Até que o Belenenses foi vencer à Luz por 2-3 ( mais 3 sofridos por Bossio) no jogo em que Fernando Mendes marcou e insultou o nosso clube. A partir daí Enke voltou ao seu lugar.
Acabámos em 3º lugar com 7 derrotas!

7 comentários:

  1. Concordo com a "posição" que dás ao Enke em relação aos restantes guarda-redes do Benfica. Eu, por ser mais novo, já não fui a tempo de ver o Bento, por isso para mim acima do Enke só vi o inigualável São Michel.

    Mas o meu comentário (o primeiro aqui no Red Pass, apesar de acompanhar aquilo que escreves praticamente desde o início do Encarnado e Branco) tem a ver com o seguinte: num dos primeiros jogos que fui ver para os DV, não quero mentir mas acho que foi o da 1ª mão contra o D. Bucareste (uma frangalhada do Enke, apesar de ter chovido a potes nessa noite), lembro-me que os NN tinham uma frase gigante para o Enke, algo como "Enke, du bist unser nummer 1!". Tentei encontrar esta foto pelos recantos da net, mas não consegui. Alguém (jg / algum comentador) tem a foto desta frase perdida algures? Gostava de a rever.

    Cheers.

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  2. Mago, essa frase foi já na última temporada do Robert, quando se discutia a não renovação dele.

    j g: se não estou em erro, o Robert saiu da equipa por problemas no ombro, por isso é que o Bossio jogou!

    Viva o Benfica

    Enke: Nummer 1 !

    http://DezOuVinte.blogspot.com

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  3. Grande post. Já lá vão dez anos e ainda que os tempos tivessem sido péssimos só posso sorrir à medida que vou relembrando essa época. A equipa era péssima, e tivemos o nosso "bater no fundo", mas olhemos também para os outros planteís e o que é que se via por lá? Robainas, Esquerdinhas, Rubens Juniores...
    Por essa altura começavam a brilhar Saviola e Aimar na Argentina. Quem diria que iam parar à equipa de Sérgio Nunes, Rojas, Porfírio e companhia?
    De qualquer forma este momento péssimo foi como que uma filtragem de benfiquismo. Quem resisitiu e apoiou o clube está cá para sempre de pedra e cal. ;)

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  4. Mago:

    vou publicar essa foto que falas na 3ª parte
    :)

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  5. Robert Enke veio para o Benfica para substituir o extraordinário Michel Preud'homme e não defraudou as expectativas. Pelo seu talento e qualidade foi chamado à selecção alemã, lugar por onde passaram grandes lendas como Harald Schumacher. Terá vivido os dias mais felizes em Lisboa, longe de imaginar a tragédia que iria irremediavelmente afectar a sua vida e da família. Apesar da sua juventude, a adaptação a um novo país e a falta da conquista de títulos desportivos, nunca foi impedimento para dar todo o seu empenho e profissionalismo dentro do campo. Fora dele, era o expoente máximo de bondade, pois dividia-se entre projectos de solidariedade e o amor aos animais, sem esquecer as preocupações com o meio ambiente. Guardarei na memória a chegada à Portela de um Homem com cara de menino, à procura da glória num clube enorme, tão grande como o seu coração.

    http://dylans.blogs.sapo.pt/

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  6. jg,

    folgo em sabê-lo e cá ficarei à espera da 3ª parte. Depois usá-la-ei, com a tua permissão e dando o devido crédito à fonte, obviamente.

    De resto, só aproveitar para me associar ao "sorriso nostálgico" do Anactório, principalmente no que às curvas diz respeito. Frases gigantes, gente nos topos (e não nas esquinas), bandeiras e estandartes, guerras de frases... Enfim. Resistimos, apoiámos, e por cá continuamos :)

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  7. Mago, já podes ver.
    já está online. ;)

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