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quarta-feira, 7 de abril de 2010

Destino Anfield Road – Um dia de sonho (Parte 2)



São 19h40, os putos da bandeira da Champions já estão no meio campo, as equipas prestes a entrar, o estádio já está completamente cheio, e eu estou ali mesmo! Estou a viver o sonho de estar no Anfield Road, e a apoiar o meu Benfica. O coração bate mais depressa.
Nas colunas do estádio ouvem-se uns acordes conhecidos… Ora aí está, é a música que todos queremos ouvir ao vivo, o momento mágico de que todos os amantes da bola conhecem, mas poucos já sentiram na pele. A expectativa é tão grande como foi ouvir os primeiros acordes de Paul McCartney em Lisboa há dois anos.
A canção começa lenta, os cachecóis começam a aparecer ao alto e na horizontal, a letra começa a ser clara. Tudo em crescendo, tudo em segundos. Está a chegar a parte do refrão, a nossa bancada tenta ensaiar um cântico de réplica, poucos aderem.
E aqui vamos nós à parte que vai subir:
Walk on, through the wind,
Walk on, through the rain,
Though your dreams be tossed and blown.
Walk on, walk on with hope in your heart

Nesta altura já estava arrepiado, e num instante eis Anfield na sua potência máxima:
And you'll never walk alone,
You'll never walk alone

Pronto, não resisti! Agarrei no meu cachecol do Benfica, ergui-o e juntei-me aquele momento mágico, todo arrepiado, e de olhos molhados também cantei:
You'll never walk alone !

Não sei se pode ser considerada como uma pequena traição o facto de ter cantado com os adeptos adversários, mas a verdade é que andei anos para sentir isto, não resisti.
O efeito é tremendo, sai tudo tão certinho, tão alto, com tanta alma que as estruturas da bancada à nossa volta vibravam!
Foram os minutos mais emocionantes que me lembro de passar num estádio antes do jogo começar. Nem o hino nacional durante o Euro 04 me fez sentir isto.
Ainda ecoavam os aplausos do grande momento, e as equipas já estavam alinhadas no relvado lado a lado.
Ia começar o jogo, a nossa bancada explode num apoio impressionante à equipa como que a mostrar aos ingleses que podemos não cantar tão certinhos, mas temos pedalada para eles, com cânticos bem mais directos, empolgantes e curtos.

Primeira parte

Começa a partida. Ia mentalizado para passar os 15/20 minutos mais sufocantes dos últimos tempos, sabia que era essencial não sofrer golos na primeira metade da primeira parte. Nunca pensei é que a primeira consulta ao cronómetro instalado no The Kop fosse registada pelos meus olhos aos … 40 segundos!
Exacto, 40 segundos de jogo e já eles estavam doidos a correr para a baliza onde estávamos a ver o jogo! Olhei para a cara de alguns dos nossos jogadores e senti que também eles estavam apreensivos. E as bancadas cada vez cantavam mais e mais alto. Era demais, parecia uma força extra a empurrar os vermelhos contra a nossa bancada.
Bolas cruzadas de lado, de trás, por cima, remates de longe, cantos, bolas ao poste. Meu deus, o meu coração vai sair pela boca se isto não acalma.

Por outro lado, sempre que a bola passava para o meio campo deles, sentia-se confiança em Simão, Nuno Gomes, Geovanni e Robert. Estavam a tentar atacar apoiados e até começavam a levar a bola à baliza do The Kop.
O tempo ia passando. Beto ia fuzilando Moretto, comentei passado uns minutos, em tom irónico, que o jogo já parecia mais controlado depois termos secado o … Beto! Pelo menos não ameaçou mais o nosso guardião.
Há o remate do Geo à trave, a recarga do Simão foi fraca. Mas a jogada encheu de moral (ainda mais) a nossa bancada, os ingleses acusaram o toque, e pela primeira vez senti que nós estávamos a cantar mais alto, e com mais convicção do que eles.
A nossa defesa estava brilhante, sentiam o nosso apoio nas costas e iam dando tímidos sinais que íamos ter grande noite.
Cada vez conseguíamos ter o Moretto mais descansado, que entretanto faz defesa maravilhosa com os pés a evitar a explosão de alegria de Anfield.

Geo está lá longe a chatear um deles, ganha a bola e dá para Nuno Gomes, este entrega a Simão. O capitão está descaído para a nossa esquerda, tem ali à frente uns 3 defesas, todos nós estamos com ele e percebemos o que ele ia fazer: Vai Simão, papa esses gajos, finta para a direita. Isso!! Mais um bocadinho… Chuta, Simão! CHUTA… e… GOLOOOOOOOOOOOOOOOOO!
Nos instantes em que a bola saiu do pé de Simão e bateu nas redes de Reina, nós vimos bem de frente o arco da bola e o monumental golo que nos levou à loucura!
Agarro-me ao Almeida, a gritar: LINDOO! Vejo o Amorim a saltar para os nossos braços, também o Tio João rejubila. Estou nas nuvens, sinto lágrimas de alegria!
Que momento!!
A partir dali não havia ninguém naquela bancada que não acreditasse na passagem.
Continuámos a sofrer, a ver o Liverpool tentar empatar, mas a confiança estava no máximo, a alegria escapava-nos pela voz, pelos saltos, pelos gritos de apoio ao nosso Benfica.

Intervalo

Intervalo e estamos a ganhar. Desço até ao wc. Pelo caminho vejo e cumprimento muitos companheiros de bancada de sempre. Os do costume também ali estavam.
Perto do bar bebia-se para retemperar energias, e aguentar a garganta apta para mais apoio. Ouvem-se os primeiros cânticos originais da noite, com base na mesma melodia do , já famoso, Our Eagle is bigger than Your BirD:


Sozinho José Cid é melhor que os Beatles
Sozinho José Cid é melhor que os Beatles
Sozinho José Cid
Sozinho José Cid
Sozinho José Cid é melhor que os Beatles

Ou ainda:
Para levar o Simão são 40 milhões
Para levar o Simão são 40 milhões
Para levar o Simão
Para levar o Simão
Para levar o Simão são 40 milhões

Estava lançado o mote para mais 45 minutos de emoções forte

Segunda Parte



Começa a segunda metade, e agora atacamos para a nossa baliza. Costuma dar sorte. Ainda no passado sábado os nossos golos foram na nossa baliza.
A tensão volta a subir, os de vermelho parecem diabos à solta, estão possuídos, correm que se fartam e querem desesperadamente meter a bola na baliza lá ao fundo.
Anderson e Luisão parecem dois monstros sagrados, aparecem em todo o lado, desfazem tudo o que os ingleses constroem, cortam tudo. O Luisão sorri para o Crouch, como que a dizer: Não te digo para cresceres e apareceres, porque altura já não te falta. Mas ainda estás muito verdinho, e isso lá na nossa capital não é nada bom.


Eles atacam, atacam, mas o tempo passa e a malta começa a perceber que o SLB está calmamente a controlar o jogo lá atrás. Está tudo controlado. É ver o Fowler e o Cissé a entrarem, e tudo a ficar na mesma.
Quando vemos Karagounis e Micolli a entrar em acção, sentimos que não vamos perder o jogo. E o pessoal assim que o italiano entrou, gritou bem alto: MI MI MICOLLI! Adivinhava-se.
O tempo passava lento, mas ia passando. Os lances de aperto são alguns, o susto de um golo que não foi, os nervos de ver as faltas todas marcadas contra nós, tudo ia acumulando cá dentro.


Até que chegam os últimos 10 minutos, e é evidente o desespero de jogadores e adeptos do campeão europeu. Os contra golpes do Benfica eram cada vez mais perigosos, o Nuno atrapalhou-se numa bola que o Léo-Maradona podia ter marcado…
Tudo bem, eles não marcam é o que se quer.


Olha… Aí vem o Simão… ANDA! Chuta. Espera, não chutes. Cruza… NÃO! Dá para o lado… ISSO! Vá Beto, força, faz como na primeira parte mas acerta na baliza… Xiii… Ah BOA!!! FOI PARA O MICOLLI… A bola está mesmo aí, miudo!!! CHUTAA… GOLOOOOOOO GOLAÇOOOOOOO QUE GOLÃO!!!!!!!!!!!!
Momentos de loucura total, delírio colectivo naquele cantinho de Anfield, entre a baliza de Reina e a bandeira de canto. Era o paraíso ali na nossa frente. Na nossa frente, não. Onde estávamos também era o paraíso!! Não me acordem, estou a ter um sonho lindo!
Até ao fim mal olhei para o relvado, andei de abraço em abraço, cantei, pulei, e olhava à volta para ver a reacção dos adeptos da casa.
E aí voltou a magia. Dei comigo a olhar para o The Kop completamente vermelho e branco, cachecóis estendidos e o You’ll Never Walk Alone outra vez entoado com a mesma alma, apesar de estarem a levar 2 secos!
Estes gajos estão prestes a largar a Taça dos Campeões e cantam, aplaudem e ainda incentivam em busca do 1-2! Impressionante!

Depois dos 90 minutos

O jogo acaba, a festa é rija, os jogadores vêem até nós agradecer e festejar, enquanto os , ainda, campeões europeus saem debaixo de uma salva de palmas estrondosa!
Mas o melhor estava para vir. Os nossos rapazes depois de agradecerem o nosso apoio, viram-se para a saída e aceleram o passo para o balneário. São (somos) surpreendidos por uma monumental salva de palmas por parte de todos os adeptos do Liverpool. Completamente inesperado, o acto levou a que os jogadores do clube português abrandassem o passo e lentamente sairam retribuindo com aplausos e respeito.
Nunca tinha visto nada assim.
Como se não bastasse, ao abandonarem as bancadas todos os reds aplaudiram a nossa bancada, mostrando alguns cachecóis do Benfica e desejando sorte para o futuro.
Respondemos com orgulho e num gesto espontâneo levantámos ao mesmo tempo os nossos cachecóis e cantámos You’ll Never Walk Alone. Foram minutos de emoção, com aplausos de parte a parte. Inesquecível!!

À saída do estádio estavam dezenas de adeptos, sobretudo miudos, à nossa espera só para nos apertarem a mão, pedirem cachecóis nossos e dizerem que tinhamos de ganhar a competição, porque segundo eles: “Quem bate o Liverpool, tem que ser campeão!”.
Foi neste ambiente que fomos para os autocarros que nos levariam até ao aeroporto.
Tudo correu sem o menor problema.
Aborrecido mesmo, só o tempo que tivemos para chegar ao avião e levantar vôo. Eram 48 autocarros a deixar adeptos no aeroporto, para 8 aviões.
Lá se esperou, já com o cansaço a sentir-se no corpo, mas a satisfação de termos vivido um dia assim não nos fazia largar o sorriso.
Era 1h e 40 da manhã quando começámos a viagem de regresso. Muito sono, algum descanso, mas sempre boa disposição.

Essa figura que ficou com o nome de Fifi confessou a um companheiro nosso que adorava saber quem era, afinal , esse tal de … Fifi!
Por volta das 4 da manhã aterramos em Lisboa, a malta começa a animar-se, e fica tudo em alta moral quando sabemos que vamos chegar primeiro que a equipa! Lindo! Já não havia muita esperança de os encontrar, pois a equipa embarcou uma hora antes de nós.
Foi mais uma sensação daquelas para não esquecer, a chegada ao átrio principal do aeroporto. Descer a última rampa e dar de caras com uma multidão em extâse para lá dos vidros é qualquer coisa de transcendente! Páro, fico de frente para centenas de adeptos aos saltos, eufóricos, vejo as grandes bandeiras da maior claque do nosso clube, sempre presentes! Abro o meu cachecol comprado horas antes e que dizia Liverpool-Benfica, levanto-o e mostro lá para fora. A reacção é de doidos, já vejo tochas acesas, e oiço os cânticos familiares. Arrepiante.
Apesar da falta de inteligência de alguns PSP’s que nos queriam fazer sair dali antes da equipa chegar, lá conseguimos ficar e receber os nossos heróis.



Foi um final fabuloso, vim ao lado do Luisão até cá fora, ele perguntou se tínhamos ido lá e ficou encantado com o nosso apoio. O Nuno Gomes, o Léo, O Micolli, todos simpáticos e emocionados com a recepção. Fiquei ao pé de toda a comitiva até entrarem para o autocarro. Senti-me um deles. Sou um deles! Foi por eles, e pelo enorme simbolo que o autocarro exibe bem ali na minha frente, que fui e vim a Liverpool no mesmo dia.
Amo o Benfica, adoro o Liverpool.

Destino Anfield Road – Um dia de sonho (Parte 1)

Recupero hoje o meu testemunho publicado no Terceiro Anel em Março de 2006 desejando a todos que vão agora a Liverpool que tenham a mesma felicidade que eu tive.


A motivação faz milagres. São 7h15 da manhã de 8 de março, quarta-feira, e já estou com o meu amigo Amorim a levantar dinheiro perto de casa. Começo a pensar na dificuldade que é sair da cama todos os dias da semana para ir trabalhar, do esforço que é preciso fazer para chegar ao local de trabalho às 9h. No entanto hoje saltei da cama às 6 e meia sem a menor dificuldade e com energia redobrada, mesmo só tendo dormido umas três horinhas.

A longa espera até ao grande dia

Só dormi 3 horas porque a ansiedade era enorme na noite que antecedia a viagem. Era o culminar de meses de espera em que todos os dias se pensava como seria a tal ida a Inglaterra.
Tudo começou na manhã do sorteio dos 1/8 de final da Liga dos Campeões. O desejo concretizou-se, e a partir daí nunca mais saiu do pensamento o embate com o Liverpool.
O momento em que paguei a viagem, ainda longe de saber o resultado da Luz, foi a primeira altura de satisfação. Feitas todas as sondagens só o amigo João Almeida avançou sem hesitações para a aventura. É natural, apesar de partilharmos o amor benfiquista, temos a mesma admiração pelo Liverpool FC. O sogro dele, outro João, também marcou passagem. Já éramos 3.
Depois a noite em que levantámos o bilhete do jogo, grande excitação receber aquele rectângulo mágico, e a certeza que íamos estar com os nossos de sempre a cantar no mítico Anfield Road.
A partir daí foi gerir a ânsia à medida que o dia 8 se aproximava. Pelo meio várias noites de loucura sempre a acompanhar o Benfica, sempre de volta da mesma paixão.

A partida

Bela sensação esta de caminhar na nossa rua vestindo as cores do Benfica enquanto nos dirigimos para o táxi. Os olhares sorridentes das pessoas que esperam o autocarro para o trabalho, dos condutores que nos fazem sinais de aprovação e o adivinhar do pensamento do pessoal que nos olha: “grandes malucos, vão para Inglaterra ver o jogo”, tudo me enche de satisfação.
Um taxista que nos deseja sorte e diz ser encarnado, deixa-nos rapidamente na entrada do aeroporto. Aí percebemos que houve malta a acordar bem mais cedo do que nós, as filas para levantar os bilhetes do avião eram enormes e imóveis!
Lá nos juntámos ao mar encarnado que dava uma cor linda à entrada principal do nosso aeroporto.
Chega o João Almeida, o último, porque o tio João já lá estava bem mais adiantado na fila. Estavam reunidos quatro benfiquistas com o mesmo nome. Bonito. O Amorim foi o último a comprar a viagem, depois do jogo da primeira mão decidiu juntar-se. Logo ele simpatizante do Manchester United. Mas aposto que passou a ver o Liverpool com outros olhos.
A vontade de seguir viagem era enorme, a demora em dar os bilhetes era desesperante. Fomos nos entretendo a dar entrevistas à TVi. Uma bonita repórter pede para falar connosco, e nós acedemos:


TVi: Expectativas para o jogo, que resultado espera?
J.G.: Vamos perder. (ar de espanto da jornalista) Vamos perder 2-1, e o nosso golo só aparece nos descontos e em fora de jogo.

Após pausa da repórter, visivelmente baralhada, e certamente desconhecedora do facto que aquele resultado nos servia, resolveu avançar para o Almeida:


TVi: E o senhor, que espera do jogo?
J.Al.: Só acrescentar ao que o meu amigo disse que o golo vai ser ao colo...

Tudo isto com ar muito sério.
Lá foi a moça procurar depoimentos mais efusivos e que servissem para encher o jornal da tarde da estação. À nossa volta as gargalhadas já eram muitas.
Até à entrada do avião vi muitas caras conhecidas de amigos que já não via há tempos. Todos com o mesmo sorriso, todos com a mesma esperança.

Viagem para Liverpool

Finamente prontos para partir, perto das 9 e meia da manhã uma avião carregado de benfiquistas, hospedeiras de cachecóis e a presença de figuras conhecidas como Abel Xavier ou António Oliveira.
São duas horas e vinte minutos de expectativa, alguns cânticos ensaiados após a mensagem do comandante Gonçalves que desejou a nossa vitória.
Imagem bonita vista da janela do avião antes da aterragem, passámos mesmo por cima dos dois estádios da cidade de Livepool. Impressionante proximidade entre Everton e Liverpool.
Tudo correu bem na chegada, polícias simpáticos e educados na recepção, e rápida ligação entre avião e autocarro que nos levava para o centro da cidade.

Passeio no centro da cidade

No percurso aeroporto Jonh Lennon - Albert Dock começamos a fazer as primeiras amizades. Começam-se a revelar os grupos de adeptos mais humorados. O alvo da chacota foi o guia português que a Cosmos destacou para acompanhar os adeptos. Rapaz simpático mas com um discurso com muitos pormenores que lhe foram fatais. Em poucos minutos ganhou a alcunha de... Fifi! A partir daí o Fifi foi o alvo de todas as piadas. Sentados nos últimos bancos do autocarro, foi como regressar aos tempos de liceu das viagens de estudo. Tudo bem, boa disposição no ar.


Tínhamos 4 horas por nossa conta. Lá fomos a pé em busca de pubs e de locais emblemáticos. Paragem no primeiro pub para beber umas cervejas, levantar dinheiro e ir à procura do emblemático Cavern. Um polícia deu-nos a indicação que precisávamos, e pelo meio confessou que estava a torcer por nós porque era londrino e do Chelsea. Agradecemos.

Cavern

Emocionante estar à porta do Cavern! Claro que já não é o mítico local onde os Beatles tocaram 292 vezes, mas há a magia das fotos expostas. Um inglês canta no palco temas dos fab four, isto até o bar ser tomado pelos imensos benfiquistas que iam invadindo o centro de Liverpool. Em pouco tempo os cânticos de apoio ao Glorioso ecoavam pelo Cavern, isto com adeptos do Liverpool rendidos à nossa fé.
Depois uma passagem pela loja dos Beatles, em que o Almeida me foi buscar antes que eu desgraçasse as minhas libras todas, fomos comer o inevitável hamburguer do Burguer King na companhia de mais benfiquistas, claro.
A seguir ao almoço o encontro da praça onde estão as lojas oficiais de Everton e Liverpool. Entrei só na do Liverpool, claro.
Única desilusão desta viagem, a camisola encarnada do Liverpool estava esgotada. Tentei compensar a decepção comprando cachecóis lindos daqueles clássicos só com riscas de duas cores. Mais umas t-shirts, o cd dos cânticos do Kop, e umas lembranças para amigos. Senti-me um puto perdido numa loja de brinquedos.
Já carregados da loja do Liverpool, lá caminhámos para o regresso ao autocarro.

A caminho do estádio

Às 17h20 começou a viagem para o estádio, ambiente já bem animado levou a que as piadas ao amigo Fifi fizessem rir todos os adeptos.
Muita chuva, céu escuro, marcaram o ambiente até Anfield. Passar ao lado da entrada principal no meio dos adeptos da casa é emocionante, ver que a maior parte deles acenava em vez de insultarem fazia adivinhar uma recepção diferente daquilo que sempre acontece quando jogamos fora.
A caminhada a pé do parque dos autocarros até à entrada do estádio foi uma festa. Uma mar encarnado. Éramos muitos, e dava para tudo. Cantar, mostrar orgulhosamente os nossos cachecóis e até parar nas bancas para comprar pins e cachecóis alusivos ao grande jogo.
A entrada é feita de modo espectacular. Rápida, organizada, e com uma revista aos sacos e à roupa impressionante. O polícia que me revistou foi de uma simpatia desarmante, pediu desculpa por ter que abrir os sacos, foi perguntando se a viagem correu bem, se íamos logo a seguir ao jogo para casa, se estava bom tempo em Lisboa, enquanto fazia o seu trabalho de forma exemplar. Para os que costumam andar nestas coisas, como eu que ainda no passado sábado estive na Reboleira a ver o Benfica, não deixa de ser impressionante a diferença entre cá e lá.
Entrada na porta do estádio, ida ao wc, e finalmente a subida às escadas que davam acesso às bancadas.

Anfield Road

É subir as escadas e ficar completamente rendido à beleza das bancadas de Anfield! Um momento para não esquecer. Finalmente, ali estava o The Kop mesmo à minha frente. Lindo, imponente, histórico, já se sentia o cheiro da história do futebol inglês e europeu naquelas cadeiras.
O nosso sector encheu depressa. Éramos uns 3 mil. Estava tudo doido, tudo empolgado por estarmos num sector do Anfield Road. A reportagem da RTP estava ali à nossa frente, sempre que entrava em directo a malta cantava. O Riise não joga e passou à nossa frente. O Zenden também passou e acenou ao ouvir aplausos.
Até à hora do jogo só se ouvia Benfica.
E de repente, a quinze minutos de começar o jogo o estádio encheu, o ambiente aqueceu, e a nossa alma tremeu. Tremeu com os primeiros cânticos de Anfield. Maravilhoso aquilo que os ouvidos registam. O Almeida olha para mim, aponta para a bancada central onde estão os vips ingleses, e pergunta:
-É suposto estes gajos aqui na central também cantarem?!

Pois é, em Anfield não se canta só no topo do Kop. Daí só vem o mote para todo estádio cantar a uma só voz canções de arrepiar, com uma força que faz vibrar toda a estrutura do estádio!

Ian Rush: "Marquei três golos. E ao Grande Bento"


Entrevista do jornal I por Rui Tovar,

O galês não se esquece de uma noite.
I
Ian Rush está com pressa. E não é nenhuma brincadeira com o seu apelido. Estamos na rush hour (hora de ponta) e o galês, outrora goleador do Liverpool e agora comentador televisivo na ESPN, sem tempo para falar ao telefone. É um gentleman, fala pausadamente e lá concede a entrevista ao i. É um prazer ouvi-lo falar da carreira porque Ian Rush é daqueles fenómenos que nunca foram a um Europeu ou a um Mundial, como Alfredo Di Stéfano, George Best ou Ryan Giggs, que chegou a jogar na selecção do País de Gales com o avançado. Hãããã, desculpem, goleador. Aqui, neste caso, a rectificação impõe-se. Ao longo dos anos, Rush coleccionou golos para todos os gostos, ao ponto de ainda ser o melhor marcador de sempre do Liverpool (346), dos dérbis com o Everton (25), da Taça da Liga (48), das finais da Taça de Inglaterra (5) e da selecção galesa (28). É de mais? Sim, mas este detalhe é delicioso e é de partilhar: sempre que Rush marcava, o Liverpool não perdia. Foi assim em 145 jogos seguidos! Nesse currículo, Rush lembra-se de cinco golos ao Benfica, todos na Taça dos Campeões, em três jogos.

Ian, tudo bem?
Tudo. Estou com pressa [a tal rush hour] mas diz, diz à vontade.

Lembra-se das eliminatórias com o Benfica?
Ah sim, claro. Na primeira vez que joguei com vocês... Bem não sei se é do Benfica, mas vocês tinham uma grande equipa, com a experiência de Bento, os dribles do Chalana, a irreverência de Strömberg, a força do Carlos Manuel, o talento de Diamantino, a inteligência de Nené, a velocidade do José Luís. Todos estes jogadores eram constantemente falados pela imprensa com eventuais convites de Itália, então o El Dorado do futebol mundial, e isso impunha-nos respeito. Ainda por cima, nesses quartos-de-final da Taça dos Campeões 1983-84, eliminámos o Athletic Bilbao, lá em Espanha [0-0 em Anfield e 1-0 na Catedral], com um golo meu. Sabe como é que fomos despachados de Bilbau, à entrada do túnel de acesso aos balneários? Com garrafas, latas e almofadas. Foi um alívio quando percebi que vocês...

Do Benfica ou de Portugal?
[risos] De Portugal, sim. Que vocês, portugueses, eram mais educados. Imagine que, depois de vencermos 1-0 em casa [golo dele aos 66'], ganhámos 4-1 na Luz [0-1 por Whelan aos 9', 0-2 por Johnston aos 32', 1-2 por Nené aos 74', 1-3 por ele aos 78' e 1-4 por Whelan aos 86'] e os adeptos aplaudiram-nos. Fizemos, de facto, uma exibição de gala e a superioridade foi evidente

Com amizade e até à próxima?
Sim [risos], mais ou menos isso.

E não é que resultou, porque um ano depois lá estava o Liverpool de volta à Luz?
Pois, é verdade, mas o que me lembro dessa eliminatória é o jogo da primeira mão, em Anfield.

Porquê? Então marcou três golos. Isso para si devia ser uma chatice.
Muito obrigado. Assim até me vejo obrigado a adiar os meus compromissos para falar com um fã tão animado.

Mas é verdade, o Rush marcava golos a pontapé.
Sim, bem sei, mas dessa vez foram três ao Bento. Ao grande Bento.

Mas ele era pequeno.
Diz você. Para mim, ele ocupava aquela baliza toda. E quando ele saía da baliza e voava para afastar a bola de um cruzamento? Bem, aí era impressionante. Grande, grande. Em todos os sentidos.

Então marcou três golos ao Bento?
Sim. Aliás, ainda tenho guardado comigo esse programa de jogo, veja lá. Foi muito importante para mim. Porque foi o meu segundo a titular, depois de uma longa paragem por lesão. E porque marquei três golos ao Benfica, ao Bento, na Taça dos Campeões, e isso deu-me moral para encarar o resto da época e até da carreira. As lesões podem arrumar um tipo.

E você teve sorte?
Sim, indiscutivelmente. Ultrapassei esse problema e comecei a marcar.

Tanto, tanto, que até foi parar à Juventus, em 1987.
O tal El Dorado de que falava há pouco. Três anos antes, tive um convite do Nápoles, a proposta era tentadora e queria falar com eles mas o Liverpool nem me deu hipótese de negociar o que quer que seja. Só em 1987, com o Liverpool e todas as outras equipas inglesas desclassificadas das competições europeias devido a Heysel [39 mortos antes do Juventus-Liverpool, final da Taça dos Campeões, em Bruxelas], é que me deixaram ter a palavra. Na verdade, queria testar o meu futebol porque a selecção do País de Gales nunca mais ia a uma grande prova e queria estar entre os melhores jogadores do mundo. Mas fui parar a uma Juventus sem Platini. Um dia, eu e o Platini cruzámo-nos e ele disse-me que eu tive azar porque faríamos uma óptima dupla. Tenho a certeza que sim mas paciência. Lá, as coisas não resultaram muito bem, em termos colectivos, porque nem acredita o que melhorei como jogador. Lá, defendia, defendia e defendia. No Liverpool, só atacava. De maneira que aprendi todas as manhas que me foram úteis no regresso a Anfield, na época seguinte.

Pois, só uma época em Turim.
Mas fui recebido por cinco mil adeptos da Juventus no aeroporto, era acarinhado nas ruas e marquei 14 golos, apesar de uma era cinzenta, com troca de treinadores e tudo [saiu Rino Marchesi e entrou Dino Zoff].

É verdade que disse que não se deu bem em Itália porque era como se estivesse no estrangeiro.
Ehhhhh, não, nada disso. Mas não é a primeira pessoa que me faz essa pergunta. A verdade é que foi o Kenny [Dalglish] quem me meteu nessa situação embaraçosa e a piada espalhou-se como se fosse minha. Ele [Dalglish] é que disse isso.

Diz-se que você e ele formaram uma dupla diabólica mas não se davam bem fora de campo. É verdade?
Meia verdade. Sem nunca termos ensaiado, eu e ele entendíamo-nos às mil maravilhas, quase de olhos fechados, mas fora do campo simplesmente não falávamos assim muito. Tínhamos diferentes estilos de vida. Ele vivia em Southport e jogava golfe e eu vivia em North Wales e os meus melhores amigos eram Ronnie Whelan, Jan Molby e Terry McDermott. O curioso é que agora eu e o Kenny somos parceiros para a vida, muito melhor do que quando jogávamos juntos. Há uma outra coisa em relação ao Kenny: na minha última época no Liverpool [em 1995-96], já jogava com Peter Bearsdley, John Aldrigde e John Barnes e eram excelentes jogadores e companheiros mas nenhum foi como o Kenny. Aliás, foram precisos esses três para o substituírem.

Tem cá uma admiração pelo Dalglish...
Nos primeiros treinos com ele, pensava: "Mas porque é que estou aqui a correr que nem um maluco se este não vai conseguir dar-me a bola em condições, porque estou longe e tapado pelos defesas?" e logo a seguir eu dizia "shit" [merda]. Ele conseguia colocar a bola onde queria, fosse quem fosse que estivesse na área de acção. A sua visão era fabulosa e os seus passes simplesmente divinais. E como ele sabia que eu corria mais que os outros, era sempre a aviar.

Agora há alguém assim no Liverpool?
No tempo em que era treinador de avançados, quando fui contratado pelo Gérard [Houllier, treinador francês que levantou uma Taça UEFA e uma Supertaça europeia pelo Liverpool], o Owen era um fenómeno pela vontade de aprender e pela disponibilidade ilimitada de ultrapassar barreiras. Agora vejo o Torres como um avançado modelo. Ele é de classe mundial. Tem potencial e pode igualar os meus números se não se lesionar.

E há mais avançados assim de top?
Claro. Villa, outro espanhol. Drogba, da Costa do Marfim. Cristiano Ronaldo, de Portugal. Messi, da Argentina. Este é o melhor do mundo, faz-me lembrar o Maradona. Vê-lo a correr com a bola agarrada aos pés é uma perdição. Mas eu sou suspeito, como todos nós, acho. A escolher jogadores para uma equipa ideal, quase levava a equipa toda do Barcelona. Já viu bem aquilo? O Xavi. Meu Deus, o Xavi... Ele não erra um passe. Mesmo que queira.

Rush, não lhe tomo mais tempo. Vá lá à sua vida. Obrigado por tudo.
Até quinta?

Até quinta.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Messi!



Um dia vou dizer orgulhosamente que vi o poker do Messi contra o Arsenal em HD.

Reacção ao castigo do director desportivo

A Benfica Futebol – SAD foi hoje notificada de um acórdão proferido pela Comissão Disciplinar da Liga que decidiu sancionar o Director Desportivo Rui Costa com a pena de 40 dias de suspensão para o exercício de funções de dirigente no âmbito das competições desportivas.

1. Para que fique claro, a sanção disciplinar ora aplicada emerge de um processo disciplinar que teve origem numa participação disciplinar de todo infundada de um funcionário da SC Braga SAD, até então no verdadeiro e justificado anonimato, e que teve como fim único tentar divergir a atenção da opinião pública dos verdadeiros atentados à lealdade e sã convivência desportiva que se verificaram aquando do jogo SC Braga – SL Benfica, antes, durante e após este.

2. A decisão inscrita no referido Acórdão é tanto mais surpreendente quando se verifica que aquela que era a principal testemunha indicada pelo participante, o Presidente do SC Braga, pese embora convocada por diversas vezes, mostrou-se indisponível para prestar o seu depoimento não corroborando, assim, a tese do seu funcionário.

3. As demais testemunhas arroladas, que indiciavam independência e isenção no seu depoimento, os agentes da PSP de serviço no hall dos balneários, acabaram por não ser inquiridas porquanto o participante, por via de requerimento, veio a prescindir da sua inquirição. Adivinham-se as razões, não devidamente valoradas, crê-se, pela Comissão Disciplinar.

4. Por outro lado, perante depoimentos contraditórios questionam-se as razões que determinaram a prevalência de uns em detrimento de outros, quando resulta provado no próprio Acórdão que o Director Desportivo desta sociedade ficara “indignado e revoltado” com uma resposta (entenda-se, provocação) do funcionário da SC Braga, reconhecendo-se ainda no mesmo Acórdão, obviamente sem grande esforço, que o Director Desportivo desta sociedade é um “profissional sério, competente e cordial” e “pessoa de bom senso, ponderado e recto”.

5. Mais, para que fique claro, uma vez mais, congratula-se esta sociedade com o facto (de todo relevante) de a Comissão Disciplinar não ignorar que o seu Director Desportivo se “pudesse sentir indignado e revoltado com a resposta dada” pelo funcionário do SC Braga.

6. Por último, lamenta-se o tempo da decisão, para o qual muito contribuiu os expedientes dilatórios do participante. Recorda-se que a participação que esteve na génese deste processo data de 20 de Novembro de 2009.

7. Em face de tudo isto, o Director Desportivo desta sociedade irá recorrer da decisão para o Conselho de Justiça.

Lisboa, 6 de Abril de 2010

A Administração da SL Benfica – Futebol, SAD

Venham Mais 5

Holandês em Anfield

O árbitro holandês Bjorn Kuipers foi nomeado pela UEFA para apitar o encontro entre o Liverpool e o Benfica, relativo à 2.ª mão dos quartos-de-final da Liga Europa.

Depois da vitória (2-1) na Luz, a equipa de Jorge Jesus vai procurar na quinta-feira continuar na competição. A partida tem início marcado para as 20h05.

Pedagogia no Apoio Vocal à Equipa



Nestas alturas em que o nosso Benfica está em alta, já com uma taça conquistada e a caminho de mais importantes conquistas, os adeptos costumam aparecer em grande número na Luz ( esta época até tem sido uma constante desde o primeiro dia valha a verdade) e fora da Luz. A tendência é juntarem as suas vozes à dos sócios que formam o maior grupo de apoio à equipa. É bom e seria óptimo se fosse sempre assim.
No entanto há aqui um pormenor que eu queria ajudar a emendar. Naquele cântico que começa com um valente "OH Sport Lisboa..." e continua com um pedido de "Mostra a tua raça , o querer e ambição" há um acerto a fazer.

Pessoal, começa assim: "Oh Sport Lisboa (pausa) e Benfica, o Campeão". Como devem concordar é isto que faz sentido e não um "Oh Sport Lisboa (pausa) e o Benfica, o Campeão".
E o? Mas para que é o "o" antes de Benfica?! Estão a cantar por dois clubes diferentes?, o Sport Lisboa e o Benfica!? É só Sport Lisboa e Benfica, ok?
Vamos lá ensaiar:

E Benfica! Não custa nada.

E para acabar um desabafo pessoal. O nosso clube é o Benfica. Também conhecido por Sport Lisboa e Benfica, ou Glorioso, ou os "encarnados", ou clube da Luz, ou lampiões pelos infelizes invejosos rivais. Mas não lhe chamem de Benfas! Façam diminutivos parvos desses para os vossos animais de estimação ou para o(a)s vossos companheiro(a)s, ok? Benfas é, vamos lá, parvo.
E agora voltem a clicar no vídeo de cima para ensaiar mais uma vez.
Nunca mais é 5ª!

Escolha o melhor onze de sempre do Benfica

Iniciativa do DN:

Eleja a melhor equipa de sempre do Benfica: optámos pela táctica 4x4x2, ou seja, cada cibernauta pode escolher um guarda-redes, um defesa direito, dois centrais, um defesa esquerdo, um médio, um médio ofensivo, um extremo esquerdo, um extremo direito e dois avançados e, finalmente, um treinador da lista de 14 que submetemos a sufrágio. Dê-nos a sua opinião, votando abaixo:
Escolha o melhor onze de sempre do Benfica

Resumo da Remontada

Naval 2 - 4 BENFICA


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Naval 2 - 4 Benfica

Remontada à Antiga



Nos anos 80 decorei uma expressão espanhola que aprendi a ver noites históricas do Real Madrid de Butragueño, Michel, Gordillo, e Hugo Sanchez que cada vez que viravam uma eliminatória europeia a seu favor no Bernabéu a imprensa madrilista apelidava de Remontada.

Nos últimos jogos o Benfica só joga de Remontada. Depois de meses a teorizarem sobre a falta de capacidade desta equipa em dar a volta a resultados negativos o Benfica apresenta a 5 semanas do fim da temporada mais uma Remontada épica para mais tarde recordarmos. Depois de Marselha e Liverpool a Figueira da Foz.

Aos 12' de jogo o Benfica perdia por 2-0(!!) com a Naval. Para mim foi uma chegada ao estádio bem atribulada. Depois de sairmos de Lisboa a seguir aos horários de trabalho, de fazermos a viagem até à Figueira da Foz, depois de uma espera inacreditável para chegarmos a uma minúscula porta de acesso a uma bancada (eu confesso que furei a fila), entrar e levar dois golos assim de rajada e a frio é de tirar o sorriso ao mais confiante adepto do mundo.
Foram momentos complicados de observar enquanto levava com aquele tradicional vento frio na cara. A recuperação começou na bancada. Novamente o Benfica a encher por completo de vermelho um estádiozeco e com os seus adeptos a não acusarem o 2-0 e a puxarem em força pela reacção da equipa.
Não havia ali nenhum benfiquista que não acreditasse na nossa recuperação mas havia muito rival enganado a pensar que ia ter uma grande noite, isto a avaliar pelos sms que recebi no primeiro quarto de hora de jogo.

O Benfica reagiu e mostrou porque é que tem um plantel competente. Não há Saviola mas há Weldon que aos 16' e 18' acabou com a festa da Naval e do resto do país não benfiquista. Dois golos seguidos em resposta aquele alucinante começo de jogo. E há também Di Maria que aos 38' coloca o Benfica na frente com mais um belo golo na sua impecável carreira desta época. E antes do intervalo já estava feita a remontada.
Tempo ainda para a palhaçada da noite com o cartão amarelo a Maxi por suposta mão na bola que o tira do derby. Impecável, já não podemos passar sem estes colos da arbitragem.

Aos 10' da 2ª parte aparece Cardozo a marcar e a apanhar aquele rapaz que nós descobrimos para jogar no Porto ( ai se não fosse o Benfica a descobrir Falcao onde andaria agora o dragão?! ) e a acabar com qualquer esperança da Naval em conseguir um resultado positivo.
O resto foi jogar com posse bola em jogadas que me dão prazer. Ver o Benfica jogar dá-me um enorme prazer esta temporada.

Grande jogo de toda a equipa mas quero destacar Fábio Coentrão, Di Maria, Javi, Weldon e David Luiz. Esta equipa actual do Benfica está ao nível das melhores equipas de futebol que eu já vi jogar em 30 anos. Vale todos os km's que se fazem para a ver jogar mesmo que numa 2a feira depois de um dia de trabalho e na véspera de outro dia de trabalho. É um regalo para os olhos. E ganha!

Viagem Lisboa - Figueira - Lisboa cumprida com total êxito e estamos mais perto do grande objectivo da temporada.
Já só faltam 5 jornadas e há 6 pontos de vantagem para gerir.
E o melhor de tudo: mais uma vitória limpinha sem ponta por onde poderem agarrar. Deve ser lixado ser anti-benfiquista pelos dias que correm...

segunda-feira, 5 de abril de 2010

A Caminho da Figueira da Foz

Daqui a pouco começa mais uma viagem para ir ver o Benfica jogar.
Na época passada foi assim: naval 1 - 2 Benfica

E Pelos Lados de Liverpool

A vida não está nada fácil... Mais pontos perdidos ontem em Birmingham e uma substituição de Rafa Benitez que deixou Torres e Gerrard à beira de um ataque de nervos:

Koeman - "Aquela vitória em Liverpool foi a maior da minha carreira"

em entrevista ao jornal I


Estou sim?

Yes, Ronaald Koemannn speakinggg [apresenta-se pausadamente].

Senhor Koeman, boa noite, obrigado por ter ligado. Falamos inglês ou espanhol?

Ah, bom, prefiro espanhol!

Esta entrevista anda atrasada mas até calha bem. O Benfica vai jogar com o Liverpool e você ganhou-lhes duas vezes.

Pois foi, que grande campanha fizemos na Liga dos Campeões. Primeiro eliminámos o Manchester United na fase de grupos, depois foi o Liverpool nos oitavos-de-final, 1-0 em casa e 2-0 fora. O jogo de Anfield foi uma das melhores noites que tive.

Se calhar foi mesmo a maior vitória da sua carreira de treinador!

Bem, nessa época também ganhámos fora ao FC Porto, para o campeonato [2-0]... Mas, sim, a Liga dos Campeões é outra coisa. Foi a minha maior vitória.

Como preparou esses jogos?

Toda a gente sabe como é o Liverpool do [Rafael] Benítez: uma equipa dura e fisicamente muito forte. O 1-0 que conseguimos em Lisboa foi importante, permitiu-nos ir para Anfield a obrigar o adversário a correr riscos. Sofremos muito nos primeiros 25 minutos, passámos momentos difíceis, mas depois a equipa soltou-se e marcámos dois golos [Simão e Miccoli].

Tinha um jogador perfeito para o contra-ataque: Simão.

É verdade, ele e o Miccoli. Mas o Simão é mais do que isso, aliás, é um desprestígio dizer-se que só joga em contra-ataque. É completo.

Falamos de Simão e Miccoli, mas também tinha uma tal de Beto na equipa.

Eu percebia as críticas que lhe eram feitas: não tinha muita qualidade técnica, mas era um grande jogador de equipa. Muitas vezes, para ter um Simão ou um Miccoli também é preciso um Beto.

Quem é que destacaria mais?

O guarda-redes, o Moretto.

O Moretto?

Sim, fez uma época muito boa connosco. Havia o Moreira, o Quim, mas tivemos problemas com os guarda-redes e no Inverno chegou o Moretto.

Sabe que depois de você sair do clube ele também foi atrás...

Para mim, o guarda-redes joga na posição mais delicada da equipa e não é por cometer um erro que vai para o banco.

Lembra-se de quando ele aterrou em Lisboa?

O FC Porto também estava na jogada.

E houve aquela cena no aeroporto em que um empresário supostamente ligado ao FC Porto foi agredido à frente das televisões.

Sim, sim. Lembro-me de o Moretto chegar a Lisboa. O presidente Vieira foi buscá-lo... mas olhe que não era jogador do presidente. Indicámo-lo, foi uma contratação da equipa técnica.

Em 2005/06 teve um futebolista que lhe deu uma vitória contra o FC Porto (1-0 na Luz) e pouco mais: Laurent Robert.

Mas sabe? Contratámo-lo porque eu conhecia bem o percurso dele em França e na Inglaterra: canhoto, grande marcador de livres, de cantos. Não rendeu o que se esperava, teve muitas lesões e às vezes era conflituoso.

E foi mal recebido no balneário porque ganhava muito para o que fazia?

Eu não falo de dinheiro, isso aí já não é o meu campo. Analiso rendimentos e ele não rendeu o esperado.

O que acha do Benfica de hoje?

Muito forte, a equipa mais forte de Portugal, oxalá seja capaz de ganhar o campeonato. Este FC Porto também não é o mesmo. O Benfica fez grandes contratações e tem figuras como Luisão, um ganhador nato. Mas claro que a equipa mudou, o Nuno Gomes está no banco.

O melhor Nuno Gomes dos últimos anos surgiu precisamente consigo.

Tinha carácter, era um capitão, tal como Simão; era o jogador da casa, que apoiava, que tinha aquela experiência de Itália... Hoje é mais difícil jogar, com o Cardozo e Saviola a marcarem tantos golos. Além disso e com todo o respeito, está a ficar com os seus [33] anos.

E a sua paixão, o Barcelona?

O Barça é a melhor equipa que aí está. Vê-los jogar é um prazer.

Este Barça é melhor do que o seu dream team, onde esteve ao lado de Laudrup e Stoichkov, treinado por Cruijff, campeão europeu em 1992?

Creio que sim, principalmente porque é uma equipa mais regular. É difícil comparar o futebol de hoje com o de há 15 ou 20 anos. A exigência e a qualidade mudaram, trabalha-se mais... Naquela altura tanto ganhávamos 6-0 como na semana seguinte perdíamos 2-0.

O Barça é o que resta da escola que vem do seu país?

Talvez, é o 4x3x3, o futebol de ataque, a aposta permanente na 'cantera'. Isso é muito holandês e é a grande diferença, por exemplo, para o Real Madrid, que segue outra política de investimento.

Por falar em Real Madrid e em dinheiro, o Cristiano Ronaldo não pára de marcar golos de livre-directo.

O Ronaldo chegou ao topo quanto esteve no Manchester United e hoje faz toda a diferença na equipa do Real Madrid.

Mas você, que foi especialista a marcar livres, diga-nos o que acha desde remate que ele inventou, o tomahawk.

Eu não marcava assim, a minha forma de bater a bola era diferente. Cada um desenvolve a sua técnica e a dele é muito boa e original. É verdade que hoje as bolas também são diferentes, mas isto só se consegue com trabalho.

E você trabalhava muito?

Em dois ou três treinos por semana, ficava mais uma meia hora ou 45 minutos a ensaiar livres. Quer dizer, qualquer jogador pode marcar um golo de livre, mas quem treinar marca muito mais.

Pois, mas você marcou mais de 200 golos na carreira, 33 de livre. Nenhum defesa na história do jogo conseguiu isto. E um desses livres deu uma Taça dos Campeões contra a Sampdoria.

Eu pensava sempre que podia ser golo. Claro que às vezes não entrava, porque a confiança e o momento definem tudo, mas a tranquilidade era uma das minhas melhores qualidades, ajudou-me. Na defesa nem sempre corria tudo tão bem.

Porquê?

Bem, eu não era propriamente o defesa mais rápido do mundo.

Quem era o melhor?

Para mim? Na meu tempo, era fã do Baresi, do AC Milan. Já não se joga assim, o futebol mudou, pede-se outro tipo de qualidades. Agora gosto muito do Puyol, do Barça, é o atleta da garra.

E a sua carreira de treinador como está?

Nos últimos tempos tive pouca sorte com as equipas aonde fui parar. Em Valência ganhámos a Copa do Rei, mas depois o presidente [Juan] Soler teve de sair e o projecto alterou-se. No AZ Alkmaar foi parecido, houve problemas com um banco que estava ligado ao clube. Tenho futuro de treinador, estou a preparar-me para pegar numa equipa no próximo ano.

Que se passou com Albelda, Angulo e Cañizares, para decidir afastá-los quando eram históricos do Valência?

Pensei que tinha de mudar alguma coisa, precisava de mais juventude. Foi só uma decisão desportiva, um feeling de treinador que hoje se prova fazer sentido - a equipa tem jogadores que foram lançados nessa altura.

Agora que está desempregado, vai melhorando o seu golfe?

É verdade, estou a jogar mais, mas também passo mais tempo com a família. Vivo tranquilo na Holanda - só falta o clima de Portugal ou de Espanha - e faço comentários de futebol para uma TV.

Não voltou a Portugal?

Ainda no Natal estive na casa de Vale do Lobo, no Algarve. De vez em quando volto. Nós gostamos do país. Além disso estive um ano no Benfica com grande prazer.

E no próximo ano vai treinar onde? Sabe que o FC Porto procura treinador?

Não sabia.

As notícias dizem que Jesualdo Ferreira está de saída.

Estou sempre interessado em treinar uma grande equipa, nunca se sabe. Portugal, Espanha, Itália, Inglaterra... o futebol inglês é muito interessante, mas o mais importante é ter boas condições para ganhar e poder instalar-me bem com a minha família.

Deu-lhe gozo ganhar ao FC Porto quando lá estava Co Adriaanse, outro holandês com quem não tinha boa relação?

Isso foi alimentado pela imprensa. É verdade que na Holanda não nos dávamos muito bem, mas depois, em Portugal, éramos como dois estrangeiros que se encontraram e se respeitaram. Após essa vitória no Porto, no final do jogo, fiquei a falar com ele à frente do autocarro do Benfica uns bons 20 minutos. Estávamos tranquilos, como amigos.

Senhor Koeman, obrigado pela atenção e boa sorte na próxima época.

Obrigado, boa noite.

Naval - Benfica

domingo, 4 de abril de 2010

Convocados para Figueira da Foz

Guarda-redes: Quim e Júlio César.

Defesas: Maxi Pereira, Sidnei, Miguel Vítor, Luisão e David Luiz.

Médios: Airton, Javi Garcia, Fábio Coentrão, Ruben Amorim, Aimar, Carlos Martins, Ramires e Di María.

Avançados: Cardozo, Nuno Gomes, Weldon, Kardec e Éder Luís.

Benfica convidado para os 60 anos do Maracanã



Mais um sinal do enorme prestígio do Benfica além-fronteiras. O nosso clube foi convidado para participar num jogo histórico: o mítico Estádio Maracanã, no Rio de Janeiro, vai comemorar 60 anos de vida no dia 16 de Junho e a secretaria de Estado do Desporto do governo estadual, através da Superintendência de Desportos do Estado do Rio de Janeiro (SUDERJ), quer realizar um encontro entre o Flamengo (actual campeão brasileiro, o clube mais emblemático da cidade e aquele que reúne mais adeptos no Brasil, cerca de 32 milhões) e um emblema de dimensão europeia.

Porque além da comemoração do 60.º aniversário, será também o último encontro de grau internacional no Templo dos Deuses (uma das alcunhas do recinto) antes do seu encerramento para obras — vai sofrer uma profunda remodelação tendo em vista a organização do Campeonato do Mundo de 2014, no Brasil, cuja final terá lugar precisamente no Maracanã, transformando-se assim no segundo estádio da história a acolher duas finais de Mundiais (1950 e 2014), a par do Estádio Azteca, no México (1970 e 1986).

O jogo ainda não tem data marcada mas segundo foi possível apurar junto dos encarnados deverá realizar-se a 16 de Maio, quatro dias depois da final da Liga Europa, competição na qual o Benfica deposita muitas esperanças.

fonte A Bola

Amanhã na Figueira da Foz

sábado, 3 de abril de 2010

8 Motivos de Orgulho

líder do campeonato. O Benfica (61 pontos) assumiu na segunda volta a liderança do campeonato e tem excelentes hipóteses para conquistar um título que lhe escapa desde 2004/2005. Jorge Jesus não tem escondido que ser campeão é a prioridade dos encarnados na época

106 golos marcados. A rara e prestigiada marca da centena de golos oficiais numa só temporada foi ultrapassada em Marselha, onde os encarnados venceram por 2-1, e Javier Saviola tem sido um dos principais contribuintes da equipa (19 golos), sendo apenas suplantado por Óscar Cardozo (30 golos)

melhor ataque da liga. Com 61 golos (tantos quantos os pontos do Benfica no campeonato), os encarnados têm o melhor ataque da Liga, com uma média a rondar os dois golos e meio por partida. Óscar Cardozo, com 19 golos, é líder dos goleadores da prova e o melhor finalizador das águias na competição

recordes pessoais. Óscar Cardozo, Di María, Carlos Martins e Luisão são jogadores que atingiram recordes pessoais de carreira no capítulo dos golos marcados numa só temporada. Cardozo leva 30, Di María 8, Carlos Martins 7 e Luisão 5, embora o brasileiro tenha apenas igualado a melhor marca (2003/04)

26 jogos seguidos sem perder e invencibilidade em 2010. Os resultados no ano corrente explicam o sucesso do Benfica na Liga, Liga Europa e Taça da Liga: os encarnados nunca perderam um jogo em 2010, tendo vencido 16 partidas e empatado quatro. E levam 26 encontros sem conhecer a derrota. O último desafio perdido foi a 22 de Novembro, na Taça de Portugal, ante V. Guimarães (0-1)

melhor defesa da liga. Luisão e David Luiz, a dupla de centrais mais utilizada por Jorge Jesus em toda a temporada, campeonato nacional incluído, têm contribuído para o título de melhor defesa da Liga portuguesa. Os encarnados já sofreram mais do que a meta de sete golos que Jorge Jesus pretendia, mas as 12 ocasiões em que Quim (totalista na competição) teve de ir ao fundo da sua baliza buscar a bola faz também do sector recuado encarnado um dos melhores de toda a Europa. Média de meio golo sofrido por jogo

equipa do benfica mais vitoriosa e goleadora na uefa. Não é, longe disso, a equipa do Benfica que chegou mais longe nas provas da UEFA — os encarnados já têm duas Taças dos Clubes Campeões Europeus e oito finais europeias — mas é, seguramente, a mais vitoriosa (nove triunfos, dois empates e duas derrotas em 13 jogos realizados) e goleadora (28 golos apontados, contra apenas nove sofridos). Um registo que pode aumentar já quinta-feira em Liverpool

mais golos na l. europa. Entre os clubes que estão ainda em prova com o Benfica na Liga Europa — Liverpool, Valência, Atl. Madrid, Fulham, Wolfsburgo, Hamburgo e Standard Liège — ninguém marca como o clube da Luz. Com os dois apontados anteontem são já 28. O Everton foi o melhor cliente: sofreu cinco na Luz e dois em Liverpool

in A Bola

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Hat Trick de Soares Dias

Oh pessoal do colo, se fosse o Benfica a vencer um jogo da maneira como o 2º classificado acabou de o fazer o que diriam?

Vem aí uma guerra pelos jogos do Benfica

Jornal I

O Benfica está a preparar o lançamento de um concurso internacional para vender os direitos televisivos dos seus jogos no campeonato português a partir de 2012, ano em que finda o contrato em vigor com a Olivedesportos de Joaquim Oliveira. O presidente do clube encarnado, Luís Filipe Vieira, anunciou a intenção de iniciar esta semana a negociação do processo, respeitando o direito de preferência da Olivedesportos. Mas já está a pensar nos passos seguintes: se Oliveira não acompanhar os números pretendidos pelo Benfica, o clube vira-se para o estrangeiro em busca de comprador. Em último caso, admite ficar com os direitos no canal Benfica TV, o que poderá dar origem a uma nova guerra de conteúdos entre a Zon (que detém 50% da SportTV) e a PT (que tem o exclusivo do canal benfiquista na Meo).

De acordo com as informações recolhidas pelo i junto de fontes próximas da direcção encarnada, é tudo uma questão de números: o Benfica recebe actualmente pouco mais de 8 milhões de euros por ano da Olivedesportos e a direcção do clube entende que os jogos do clube valem mais de 20 milhões por época. "O dobro é pouco", avisou Vieira em entrevista à SIC. "A direcção sabe que Joaquim Oliveira tem direito de preferência no próximo contrato, mas o Benfica parte para esta renegociação com um número em mente e se esse número não for acompanhado a venda dos direitos de TV será feita em concurso internacional", pormenorizou ao i uma fonte do clube, garantindo que o dossiê será resolvido "o mais cedo possível".

A direcção encarnada recusa revelar publicamente o valor que irá pôr na mesa das negociações. Porém, as queixas dos dirigentes nos últimos dois anos permitem prever a estratégia. Em 2008, por exemplo, o administrador para a área financeira, Domingos Soares Oliveira, defendeu que nos principais clubes europeus as receitas de televisão representam, em média, perto de 50% do total de receitas anuais. Ora, tendo em conta que os proveitos operacionais do Benfica na última época atingiram os 46,8 milhões de euros - excluindo a transacção de passes de jogadores -, o clube poderá estar a preparar-se para pedir perto de 25 milhões de euros anuais ao futuro parceiro televisivo - ou mais, tendo em conta a expectativa de acréscimo de receitas que a direcção do Benfica tem para a época em curso, em função do sucesso desportivo da equipa de futebol.

Estes valores parecem incomportáveis para a realidade do mercado televisivo português: de acordo com os números da OMG, o bolo publicitário na TV portuguesa rondou os 360 milhões de euros em 2009, e esses valores tornam dificilmente rentável a aposta de um operador em conteúdos tão caros. Mas a direcção do Benfica faz outras contas: os mais de 600 mil assinantes da SportTV representam uma receita anual de subscrição na ordem dos 145 milhões de euros, e a SportTV paga "apenas" 42 milhões de euros a todos os clubes da Liga portuguesa pelos seus direitos de televisão. Ou seja, a direcção encarnada entende que há margem suficiente para aumentar os montantes que recebe da SportTV.

Sem comentar números, a fonte contactada pelo i garantiu apenas que os valores que o Benfica pretende têm por base "valores fundamentados, como a marca Benfica e os elevados níveis de audiências televisivas" que os jogos do clube geram. Fora de causa, garante, está a existência de conversações preliminares com outros operadores, nomeadamente a Portugal Telecom, parceira do clube no canal Benfica TV.

"Não houve conversas prévias, porque a Olivedesportos tem direito de preferência. Se depois a PT estiver interessada em participar nesse concurso internacional, poderá fazê-lo. O Benfica não descarta nenhum cenário", disse a mesma fonte. Entre as opções que o clube mantém em aberto está a exploração dos direitos dos jogos do clube na Benfica TV. A alternativa poderia contar com o apoio da PT, que detém o exclusivo do canal do clube na sua plataforma de televisão Meo.

Os estudos que o Benfica tem em sua posse para sustentar os valores que vai pôr sobre a mesa não ignoram, aliás, o impacto que essa decisão poderia ter no mercado audiovisual: se a SportTV perder os direitos dos jogos do clube e se estes passarem a ser emitidos na Benfica TV, a Meo passa a ter em sua posse o exclusivo de um dos conteúdos mais apetecidos da televisão portuguesa. "Contas por alto, a migração de 100 mil assinantes da Zon para a Meo pode representar um encaixe de mais de 20 milhões de euros anuais", estima a mesma fonte.

Até ao fecho desta edição, as administrações da PT, da Olivedesportos, da Zon e da SportTV não estiveram disponíveis para comentar este processo.

Com Filipe Paiva Cardoso e Rui Catalão

Benfica 2 - 1 Liverpool

Cheiro a Mundial


Nasci para viver noites destas. É muito bonito estar na Luz a apoiar e a sofrer para ganhar ao Paços de Ferreira ou Naval (com todo o respeito que os clubes merecem) mas estas vitórias é que nos enchem a alma.
Olhar para dentro de campo e ver que contra nós estão a jogar alguns dos melhores jogadores que vamos poder ver brevemente no Campeonato do Mundo como Agger, Mascherano, Gerrard, Babel, Kuyt, ou Fernando Torres, transforma a noite num misto de emoções entre o nervosismo de querer ganhar e o privilégio de ver ali bem perto os passes de Steven Gerrard.

No meu caso tudo ainda é mais especial pois conheço quase tão bem a equipa adversária como a minha. Vejo-os semanalmente na televisão e costumo "treiná-los" no FM. Tudo me é familiar.

Vamos ao jogo. O Benfica sem Saviola entrou improvisando na frente um Aimar mais avançado deixando Martins mais atrás. Como já tenho notado noutros jogos quando defrontamos equipas com dois médios defensivos fortes, o Benfica perde-se durante algum tempo sem posse de bola. A juntar a isso o Liverpool tomou conta do jogo logo cedo e chegou ao golo antes dos 10' num livre típico de Gerrard que simula levantar a bola para a área acabando por passar rasteiro para a entrada, neste caso, de Agger. É uma jogada muito usada pelos ingleses, devia ter havido ali mais concentração nossa.

Mas, mais uma vez, a resposta da nossa equipa foi fantástica e com ajuda do público o Benfica tomou conta do jogo foi para cima da baliza de Reina e conteve melhor os nervos do que Babel que acabou por ser expulso deixando o Liverpool tentado a recuar e a defender o golo.
Falhámos muito na finalização. Tal como em Marselha voltámos a fabricar oportunidades para marcar mas na hora de meter a bola lá dentro tudo saía mal. De longe, na área, pelo ar, pela relva, faltou sempre eficácia na hora de finalizar. E contra equipas desta qualidade isso pode ser trágico como se viu por alturas de um 0-2 bem anulado. Neste capítulo ando preocupado com a apatia de Cardozo em lances de bola corrida.

Já a jogarmos para a baliza grande, onde Reina já tinha sido batido por Luisão em 2006, o Benfica intensificou o ataque. Na altura penso que já se justificava a entrada de outro atacante para o lado de Cardozo mas este resolveu mostrar que se não vai lá de bola corrida então ia de bola parada. Um livre directo superiormente marcado leva a bola ao poste e na continuação acontece uma falta indiscutível sobre Aimar. Desta vez o árbitro marcou.
Nos segundos que antecedem a cobrança de Cardozo há um pânico silencioso na Luz. Será que ia marcar? Cardozo esta noite redimiu-se dos falhanços anteriores e não só empatou o jogo como voltou a marcar depois de uma mão na área de Carragher e lançou o Benfica para a frente da eliminatória.

É engraçado ver uma equipa como o Liverpool que costuma andar a disputar acessos às finais da Champions em plena Luz a queimar tempo e até a levar amarelos por retardar a reposição de bola. Gosto de sentir o Benfica a jogar de igual para igual com um emblema que é dos mais famosos do Mundo que ao nível de conquistas de Taças dos Campeões só fica atrás de Milan e Real Madrid.

O jogo acabou por ter características especiais em que permitiu ver o Benfica atacante que nos tem deslumbrado este ano, e um Liverpool em expectativa também por força da expulsão de Babel.

A verdade é que ganhámos o jogo (em 2010 não perdemos um único jogo) estamos lançados na discussão ao acesso das meias finais e vamos a Anfield com legitimas esperanças porque acredito sinceramente que o Benfica faça golos em Liverpool. Vão ser mais 90 minutos bonitos numa competição que para nós tem sido um autêntico bónus que nos permite viver jogos históricos. Ontem fizemos mais um pouco de história que eu acredito que vá parar no Mónaco.

Um apontamento final para os amigos rivais que se precipitaram em mandar sms a seguir ao golo de Agger. Meus amigos isto quando (e se tiver que acabar) acaba. Mas acaba de forma triunfal pois somos a única equipa nacional em prova, pois estamos já a medir forças com clubes de orçamento ao nível da Liga dos Campeões de onde vieram Liverpool e Marselha e porque já fizemos a nossa história ao sermos o Benfica mais goleador da história da UEFA. E quando (e se) isto acabar olhamos para dentro e vemos o título já ali a meia dúzia de jornadas. Portanto, guardem essa azia que vos alimenta desde a noite em que perdemos na Grécia, ok?

A todos os que estão a pensar ir a Anfield Road; vão mesmo não percam a oportunidade de ir conhecer um dos estádios mais míticos do mundo. Vão viver aquele ambiente fabuloso, vão a uma das casas do futebol porque é um momento único. Eu fui em 2006 e vivi um dos dias mais felizes da minha vida. Desejo-vos essa sorte já que desta vez não vou poder ir.

Para acabar quero dizer que sinto um enorme orgulho de pertencer a um clube cujos associados ovacionam um jogador da classe de Steven Gerrard quando este é substituído. Não é um Ruben Micael, é um dos melhores jogadores do mundo e os nossos sócios mostraram uma cultura futebolística que muito me orgulha. Ao nível do que vi em Anfield quando os reds aplaudiram Simão.

E agora venha o jogo com a Naval, todos à Figueira da Foz.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Porquê o Liverpool


Há 26 anos era eu um puto completamente viciado no ambiente do estádio da Luz em dia de jogo. Vivia rodeado por gente mais velha que contava o quão enorme tinha sido o Benfica na Europa duas décadas atrás. Sentia a cada jogo que ia ver, e eram quase todos, que tinha sido sido abençoado pela mística encarnada enquanto testemunhava vitórias relativamente fáceis nas tardes de campeonato nacional.
Contudo era das noites que eu mais gostava. Havia uma aura mágica à volta do imponente estádio da Luz com o seu Terceiro Anel inacabado. As luzes acesas, as equipas estrangeiras, os equipamentos que não conhecíamos, o cheiro da relva era mais intenso, eram as famosas noites europeias de quarta feira.
Logo para começar a minha vida de benfiquista tive direito a uma meia final na Taça das Taças e depois a uma final da Taça UEFA e com o respectivo percurso até essas noites. Nada mau. Não havia eu de ficar logo viciado?!

Das muitas equipas europeias que fui vendo na Luz nenhuma me impressionava fortemente. A Roma do Falcão era imperiosa mas foi eliminada.
Foi por essas alturas que ouvia as conversas de gente mais velha e batida na Luz e as palavras de elogios/temor iam sempre parar a uma equipa inglesa, um tal de Liverpool.
Com aquela idade o que eu sabia é que eram da terra dos Beatles cujas músicas eu já cantarolava com maior ou menos dificuldade.
Ouvia falar da eliminatória que o Bola7 retrata hoje muito bem no seu blog.
Finalmente na época 1983/84 saiu o Liverpool. Pela reacção da malta tínhamos calhado com a equipa mais forte da Europa. Ao contrário da maior parte dos benfiquistas eu fiquei contente. Ia poder ver o famoso Liverpool ao vivo.

Eu não acredito na teoria das segundas equipas. Isto é, não fico convencido com quem me diz que tem uma segunda equipa. Isso não existe. Eu sou do Benfica e não tenho mais equipas. O que há depois no universo futebolístico é simpatia ou antipatia por outros clubes. Odeio uns quantos clubes, simpatizo mais com outros e a maior parte são indiferentes. No entanto há um grupo de clubes que , por uma razão ou outra, admiro e goste que ganhem.
Entre eles está o Liverpool. Quando é que eu percebi isso?

Em 1984 ouvi pela rádio o jogo em Anfield Road. Tudo o que ouvia deixava-me espantado. O ambiente relatado, o ruído de fundo, e a força com que a equipa da casa atacava, tudo mexeu comigo. É preciso dizer que nessa altura raramente eu via uma equipa mais forte que o Benfica que , para mim, era das melhores de todo o mundo.
Ficou em 1-0, nada mau comparando com os 4-1 que levámos lá 8 anos antes. Depois devorei as imagens televisivas com o resumo alargado. Fiquei fascinado com aquelas bancadas, com o equipamento do Liverpool, com o futebol deles. Mal podia esperar para os ver em "minha" casa.
2ª mão na Luz e um dado novo: muitos adeptos ingleses na bancada. Senti a emoção de ter estranhos na Luz. Não era muito comum haver tantos visitantes e estes faziam barulho alegremente. Também os vi a serem corridos das bancadas quando se esticaram para os nossos sócios.
Ao vivo aquela equipa inglesa era ainda mais impressionante. Depressa decorei os números e nomes de gente como Grobbelaar, Gary Gillespie, Phil Neal, Steve Nicol, Phil Thompson, Sammy Lee (o actual adjunto que está na foto abaixo), Graeme Souness, Kenny Dalglish, ou Ian Rush.

E aquelas camisolas amarela com riscas vermelhas? Fantástico.
Percebi ali a força do Liverpool e o porquê do receio dos mais velhos. Perdemos 1-4! Nunca tinha visto tal coisa ali.

Nem um ano depois e o sorteio da Taça dos Campeões ditou nova visita do Liverpool. Dessa vez já não achei tanta piada e temi o pior. Já estava esclarecido quanto à força dos reds. Outra vez 1ª mão em Inglaterra. Dessa vez jogámos muito melhor e chegámos a assustar com um golo de Diamantino, mas o terrível Rush respondeu com 3!
Nada perdido, havia esperança de uma grande noite europeia na Luz. E houve mesmo. O Benfica entrou a matar ganhou um penalti que Manniche converteu e começámos o jogo a ganhar 1-0. Não conseguimos um 2º golo e ficou um sabor amargo nesta eliminação.
Ficou a admiração por aquele clube que foi crescendo com as raras transmissões da RTP de jogos europeus e de finais da Taça de Inglaterra. Sem saber tinha descoberto ali a minha equipa estrangeira preferida. Um carinho que fui alimentando e cimentando até hoje.

No verão de 2005 em plena ressaca dos festejos do título nacional comentava entre amigos que era importante fazer uma boa campanha na Champions para recolocar o Benfica no mapa europeu. Tinha ainda um forte desejo: voltar a encontrar o grande Liverpool para uma desforra daquelas noites dos anos 80. Já tinha decidido um dia ir a Anfield Road ver com os meus olhos o lendário estádio e sentir o ambiente do The Kop.
Em 2006 apareceu a oportunidade e como já contei noutras ocasiões não falhei a ida e tive um dos melhores dias da minha vida.

Curiosamente, há pouco tempo desabafei o seguinte: numa época de sonho como esta que estamos a viver só falta um reencontro com o Liverpool. E lá foi feita a vontade novamente!
Esta eliminatória que começa mais logo na Luz é muito mais que dois simples jogos. Pessoalmente são as duas melhores equipas do planeta no mesmo relvado à mesma hora ao mesmo tempo. Acredito na vitória do Benfica e vou torcer para que isso aconteça.
É que pode ser que o segredo esteja na ordem dos jogos.
Primeiro na Luz é que é, já repararam?

Our Eagle is Bigger ...



... Than Your Bird

Só Assim

Benfica - Liverpool