

Como já foi dito em muitos dos textos agora publicados, Robert
Enke foi um
profissional cheio de talento, disciplinado, ambicioso e bom colega de equipa. Mas foi um homem perseguido pelo azar. A sua qualidade enquanto jogador merecia melhores destinos, e em várias alturas determinantes da sua carreira o azar não o largava.
Já disse na primeira parte deste artigo dedicado a
Enke que o alemão não teve sorte nenhuma em ter vindo para o Benfica precisamente na pior altura da história do clube! Um jovem, na altura com 22 anos, cheio de potencial completamente perdido num lamaçal em que o nosso clube vivia.
Se a época 99/00 foi má, a que se seguiu conseguiu ser a pior de sempre! E
Enke viveu o bater no fundo do nosso clube.
2000/01 foi a época do bater no fundo, repito. Felizmente foi também o fim da Era Vale e Azevedo.
Enke assistiu à triste partida de João Pinto e à chegada de mais reforços. Nesta época o alemão fez 42 jogos oficiais contra 12 de
Bossio.
A estreia foi nas Antas e uma derrota por 2-0, golos de
Alenichev e Jorge Costa, anunciou logo o pesadelo que aí vinha.
Ganhámos por 4-1 ao Beira Mar na estreia em casa, golos de
Sabry,
Poborsky,
Maniche, e do grande reforço Van
Hooijdonk. Mas fora da Luz empate em Leiria 1-1 graças a um golo de
Chano no último minuto, derrota no Bessa 1-0, marcou
Duda, empate em Paços 0-0, derrota na Madeira 3-0 com o Marítimo... Enfim, sempre embalados.
Aqui importa contar que
Enke e seus companheiros ao 4º jogo para o campeonato, 2-1 ao Estrela da Amadora na Luz, ficaram sem treinador. O alemão
Heynckes não resistiu à contestação e bateu com a porta após esse jogo que, diga-se, foi ganho por milagre de Van
Hooijdonk que bisou nos últimos 3 minutos da partida depois de
Djalma ter dado vantagem ao Estrela aos 79'!
Eram tempos de loucura na Luz. Tempos negros, muito maus. E como tudo acontecia ao Benfica nessa semana o pior presidente da nossa história foi chamar para treinador aquele que seria um dos melhores da actualidade. Só que como
Enke,
Mourinho chegou ao Benfica na hora, e no tempo, errado.
José
Mourinho não teve dúvidas, para ele o titular da nossa baliza só podia ser o jovem
Enke, e foi assim que a 23 de Setembro de 2000 se estreou no banco do
SLB no Bessa. Ganhou o Boavista 1-0, como já tinha escrito.
Mourinho esteve no banco até 3 de Dezembro altura do famoso
derby dos 3-0, que se seguiram a uma épica vitória em Guimarães; 0-4.
Enke foi sempre titular da baliza de
Mourinho, mas os tempos eram tão maus que o Benfica com um dos melhores do mundo no banco, e um dos melhores do mundo na baliza, levou 3-0 nos Barreiros,
Lagorio marcou os 3, e não conseguiu dar a volta ao
Halmstad na 1ª
eliminatória da UEFA! Na Taça de Portugal ainda foram a Campo Maior ganhar 0-1, golo de
Sabry.
Desta fase ficou a eterna admiração de
Mourinho por
Enke.
Depois caiu Vale e Azevedo e Vilarinho teve que tirar
Mourinho do banco para o entregar a Toni conforme havia prometido. O regresso de Toni foi mais um triste episódio que
Enke viveu. O resto da temporada foi um descalabro.
Começou logo numa derrota em Alverca por 2-1,
Mantorras e
Milinkovic deram a volta ao resultado que João Tomás pôs a nosso favor, depois o Gil Vicente arranca um nulo na Luz, e segue-se a melhor fase da época.
Vitórias em
Vidal Pinheiro, 5-1 em casa ao Aves, grande vitória a 21 de Janeiro de 2001 na Luz contra o Porto em noite de dilúvio. Marcaram Van
Hooijdonk, duas vezes, e Capucho.
Mais vitórias em Aveiro, em casa ao Leiria, na Amadora com
Roger a assinar o melhor jogo de águia ao peito, e depois um nulo em casa com o Boavista.
Esse empate foi o ponto final das esperanças e iniciou um dos piores, senão mesmo o pior, ciclo do Benfica num campeonato!
Até aqui
Enke sempre titular.
Derrota em Braga 3-1, com Luís Filipe a bisar, derrota em Belém 1-0,
Marcão marcou, inacreditável derrota caseira com o Paços de Ferreira 2-3, e fim de ciclo para
Enke.
Passou
Bossio para a baliza mas os resultados não melhoraram. Derrota de 3-0 em Alvalade, derrota em casa por 0-2 com o Alverca,
Dudic marcou na própria e Rui Borges, derrota por 3-0 em Barcelos e empate caseiro com o Salgueiros.
Enke voltou para fechar o campeonato na Vila das Aves num jogo que ficou 4-4!
Na Taça de Portugal o Benfica recebeu o Porto e ia repetindo a vitória do campeonato, só que
Maric aos 84' empatou tudo.
Maniche tinha feito o 1-0 aos 53'.
Enke jogou na Luz, e foi às Antas jogar o desempate numa das nossas noites mais negras. Derrota por 4-0.
Nesta época o Benfica ficou em 6º, pior classificação de sempre, e não foi apurado para a UEFA!
Enke teve companheiros deste calibre:
Uribe,
Toy,
Dani, Geraldo, Rui Baião, André, Escalona,
Rojas, Ricardo Esteves,
Dudic,
Carlitos, Diogo Luís...